sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Associação Livre

Dá-lhe, um mar, marcador, naquele avião cor-de-rosa, o cavaleiro andante mergulhou, não sabia que peixe podia encontrar, que demónio o podia conduzir, naquela noite, em que a mulher de pele cor de cera e toque de seda falou, uma incandescência vermelha jorrou, na noite escura. Quem és tu? Perdeu-se na noite, no escuro, na sua vida, sem armadura, completamente sem armadura ficou, sem nada, e com medo, até que um dia, nem o medo restava, nem a armadura, deu-se de conta que era livre, tão livre, que nem sabia o que fazer com aquele sentimento. Misturava-se com tudo, com aquela árvore de flores pequeninas, na minha cabeça não sei se eram flores cor-de-rosa, ou brancas, se era uma amendoeira em flor, ou uma cerejeira. Como eu adoro cerejas, é como aquela explosão, vermelha. E foi um autêntico galopar, um dissolver-se com tudo, com a terra, com o céu com o mar. E a minha Marília voltou, a minha personagem Marília, que um dia voou. Estava livre, sem prisões sem amarras, sem medos, leve como uma pena.
O café estava empestado de nuvens de cigarro, o cheiro a café à mistura, naquela noite, soava o jazz, e Pedro Albuquerque estava sentado a um canto, estava completamente longe, a sua mente divagava, divagava mais para lá de qualquer coisa sólida, pensava em pensar, pensava no vazio, ficou preso numa outra dimensão, e foi aí que ele viu, um cavalo completamente cor-de-rosa, um bonito cavalo, cor de rosa… em que espécie de dimensão estou? Ao lado uma menina, uma menina que irradiava luz, de vestido cor-de-rosa, cabelo aos cachos e olhos cor de chocolate, segurava uma enorme nuvem cor-de-rosa de algodão doce. Passava um rio ao lado, de pedras estranhas que se viam através da água translúcida. O mais surpreendente é que apareceram dois cagados cor-de-rosa. Até que uma nuvem negra apareceu, a menina se enfureceu, os seus cabelos se revolveram no ar, e o seu cavalo cor-de-rosa, negro ficou. Alguém partiu um copo e Pedro Albuquerque voltou à realidade onde o seu corpo estava presente, o café, a nuvem de cigarros, a surrealidade de tudo aquilo.
Vejo paralelos, vejo um carro, vejo uma descida, a criação da mente é fantástica, a imaginação, as personagens, os relatos, vive-se várias existências, somos deus no nosso pequeno mundo inventado… será que a nossa vida é fruto de um deus escritor? Será que estamos inseridos no seu mais árduo romance, na sua ficção? E que o que nos acontece são os meros devaneios de um deus escritor? Serão os nossos dramas, simples escolhas para apimentar um romance? 

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