sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Somos deus no nosso pequeno mundo inventado...

O nosso pequeno mundo inventado... Quantas construções em paralelo não nos trespassam a mente? Quantos pequenos segredos, falas, julgamentos, vozes temos em nós? Quanta magia pomos no que nos rodeia, com aquela vozinha que faz eco dentro da nossa cabeça? Até onde voamos? Voamos... Voamos... Estamos no café, sentados sozinhos, a saborear o nosso quente e forte expresso, num momento ouvimos os ruídos do que nos rodeia, sentimos o calor da chávena na mão, o sabor do café, e no momento seguinte já lá não estamos... Como um passe de mágica somos transportados até ao nosso pequeno mundo inventado, onde somos deus, pois são as nossas árvores, os nossos rios, os nossos personagens que vemos, com quem conversamos, que inventamos... Ora passeamos por um jardim, com um lago brilhante, como passeamos por uma praia de mar negro, como já estamos a imaginar mil desfechos para um problema, ou situação que temos para viver...
Consigo estar horas sentada sem fazer nada, e sem me aborrecer... Fico alienada no meu mundo, como costumo dizer, gosto de perder-me nas ruas das minhas cidades... E é uma alienação, ou não... Quem sabe aquela é a minha realidade, que eu mexo, movo, crio, faço, desfaço, enalteço, destruo, reconstruo, em tons de brilho, em tons de noite, em tons de luz...
Como é bom vaguear, alienar-se, perder-se... No mundo das ideias, dos conceitos, da imaginação... Brincar com todos eles, pensa-los, redescobri-los...
Que mágica é a palavra... Com ela somos deus no nosso pequeno mundo inventado...

3 comentários:

  1. Sofia, gostei imenso do teu texto, é algo que me diz muito. Desde pequeno tinha a ideia de que poderiamos construir mundos e hábita-los, lá longe, onde tinhámos de encontrar uma passagem secreta, a tal hora, numa dada posição dos astros, com palavras mágicas..."patentibus portis"...e abriria o portão para o nosso mundo. Agora citarei, algo que descobri que tinhámos em comum, e que de certa maneira vai ao encontro do teu texto:

    " - Diga-me só mais uma coisa - pediu Harry - Isto é real? Ou tudo tem estado a acontecer na minha mente?
    Dumbledore sorriu-lhe, e a voz pareceu forte e audível, apesar da névoa intensa que estava de novo a abarter-se, obscurecendo a sua figura.
    - Claro que está a acontecer na tua mente,Harry. Mas por que razão há-de isso significar que não é real?" Harry Potter e os Talismãs da Morte,PP. 576, J.K Rowling.

    Obrigado Sofia =) sinceramente, Kierkegaard.

    P.S http://avidaumtpc.blogspot.com/ Tirando as muitas gralhas que há nos textos, a IDEIA está lá...

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  2. Kierkegaard, muito obrigada pelo teu comentário.
    E tal como o Dumbledore responde ao Harry, porque é que o que se passa na nossa mente, não há-de ser real? Há quem defenda inclusive que a nossa mente não consegue distinguir entre os dados que lhe enviamos e que percepcionamos como reais, daqueles que criamos na nossa mente, e se acreditamos piamente nisto, que panóplia de possibilidades se abre no nosso horizonte...
    E quem sabe, as palavras mágicas "patentibus portis", abram o portão não para o nosso mundo, mas sim para os nossos vários mundos e dimensões...
    Às tantas o Harry descobriu aquela porta para o mundo de Hogwarts, mas quem sabe, na mesma plataforma, a horas diferentes, talvez haja muitas outras portas, para mundos completamente distintos, que o Harry ainda tem de explorar... Um mundo em que os pais ainda estão vivos, um outro mundo onde só existem Manekinekos, enfim, possibilidades não faltam :) Quem sabe a Rowling pega numa destas ideias para continuar a saga! ;)

    Obrigada pela participação!

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  3. Lembrei-me de outro destes mundos, o de Alice no país das maravilhas :) A toca do coelho onde ela cai, é um portal para um outro mundo seu, durante muito tempo ela pensa que está no seu sonho, e que tudo aquilo acaba quando acordar... Mas a dada altura descobre que é real, é um mundo real... Como se vê a literatura está cheia de "portais mágicos" :)

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